Nsta página tratamos de temas relativos à atividade que desenvolvemos no ambiente corporativo - Coaching, Consultoria, T&D, Teatro-treinamento.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
terça-feira, 19 de outubro de 2021
A Ouvidoria e a LGPD
Existe evidente paralelismo entre a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – e o CDC – Código de Defesa do Consumidor, posto que se trata de leis voltadas à defesa dos interesses do cliente/cidadão, em suas relações com as empresas e outras organizações, bem como os prestadores individuais, com os quais mantém relações de consumo, ou, no caso da LGPD, de qualquer natureza, desde que envolvam o manuseio, a guarda e a utilização de seus dados pessoais.
Toda mobilização das áreas de
governança, TI, marketing, comercial e demais setores envolvidos no registro,
manuseio, arquivamento, guarda e destruição desses dados, deve ter foco prioritário
na privacidade pessoal, é o que determina a LGPD. Ao fazê-lo, coloca a
legislação brasileira em sintonia com os regramentos recentemente estabelecidos
ao redor do mundo, motivados pelos usos indevidos e vazamentos que se tornaram
corriqueiros em tempos de internet e globalização.
Ora, quem é o representante
do cidadão e defensor dos interesses do cliente dentro organização? O
ombudsman, ou ouvidor. Ele será, portanto, figura indispensável a integrar o Comitê
gestor de proteção de dados pessoais, ou que outro nome se atribua ao referido
comitê, como parte da força tarefa criada para promover a adequação da empresa/instituição
às novas regras da LGPD, que nada mais é do que definir e assegurar a adoção de
boas práticas de governança corporativa, no tocante à preservação dos dados dos
clientes, parceiros e fornecedores.
Para muitos gestores, essa
adequação dos processos para atender à LGPD é assunto a ser tratado pelo
departamento jurídico em conjunto com a gerência de TI, o que caracteriza uma visão
reduzida do quadro, pois a competência da área de TI nessa questão limita-se a desenhar
e instrumentalizar os processos e procedimentos voltados à segurança (uso e integridade
dos dados), e compete ao jurídico o entendimento das determinações legais no
que se aplicar às atividades da organização. Existem outras demandas inerentes
ao processo, que são da esfera da ouvidoria, tais como a defesa dos interesses
do cliente, do cidadão e da sociedade; a definição de políticas para
comunicação e relacionamento externo da organização, a interface com clientes e
usuários no caso de ocorrer alguma falha ou insatisfação e a finalidade
objetiva de reduzir a exposição a litígio.
Na ocorrência de um vazamento
de dados, caberá à ouvidoria o dever de comunicar aos consumidores envolvidos,
à opinião pública e às autoridades competentes, a começar pela Autoridade
Nacional de Proteção de Dados (ANPD), tendo em mãos os relatórios produzidos
pela área de TI, conforme os protocolos previamente estabelecidos. No caso de
denúncia ou demanda judicial originada por um consumidor ou grupo de
consumidores, caberá à ouvidoria buscar o diálogo conciliador, a fim de construir
solução consensual, ficando o departamento jurídico como último recurso.
Outra função da ouvidoria,
além de inspirar a política de relações internas e externas da organização, é
propor aprimoramentos em todas as áreas de atividade, aproveitando as
oportunidades de melhoria identificadas nas áreas de relacionamento da empresa
com os clientes/usuários e o público externo em geral – órgãos de imprensa e
mídias sociais incluídos. Para cumprir esse papel é essencial que a ouvidoria
tenha acesso detalhado a eventuais incidentes relativos à LGPD.
Por todos esses motivos, para
citar apenas os mais importantes, a ouvidoria deve estar no centro do processo
de ajuste da corporação às exigências da LGPD, de modo a assegurar que se
atenda não somente às exigências legais, mas também, e principalmente, ao
espírito da lei, que é a preservação e defesa dos interesses do cidadão, em seu
papel de consumidor.
Alberto
Centurião
albertocenturiao.blogspot.com.br
Autor do livro “Ombudsman – A face da empresa cidadã”, Editora Educator.
sexta-feira, 4 de junho de 2021
Perdi a vontade de viver. – E agora, Coach?
Pois é, meu amigo, minha amiga, esse é um sentimento que por vezes nos invade a alma e que, se não lhe dermos atenção, pode causar grandes estragos. Poderia abordá-lo aqui por perguntas, como fazemos habitualmente em Coaching. Entretanto, desta vez parece-me mais adequado valermo-nos das palavras de um poeta. Carlos Drummond de Andrade, um dos mais geniais poetas da língua portuguesa. Porque o poeta tem um jeito peculiar de colocar suas reflexões e expressar seus sentimentos, convidando o leitor a tornar-se-lhe companheiro de viagem em seu mergulho interior.
Refiro-me ao poema “Mãos Dadas”,
página do livro “Sentimento do Mundo”,
talvez o mais introspectivo da extensa bibliografia do autor.
Neste belíssimo poema, Drummond faz uma declaração de fé na vida e
sinaliza razões para viver e estar no mundo.
O poeta começa dizendo o que não será:
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
O que significa para você,
meu caro coachee, ser o poeta de
um mundo caduco? Seria voltar sua atenção para um mundo antiquado, que não
faz mais sentido? Lamentar-se por viver numa sociedade ultrapassada, classista,
moralista e preconceituosa? Seria, talvez, fixar seu olhar crítico sobre todos
os vícios, desvios e transgressões que ofendem o seu código de valores? Ou se
indignar com todas as injustiças que ocorrem, mundo afora? Seria alimentar sua
mente com aquela catadupa de crimes violentos dos noticiários policiais? Seja
qual for o mundo caduco de sua predileção, o que sabemos é que ele é caduco: maluco, doido, vencido,
ultrapassado, incômodo e desagradável; um mundo inconveniente, que já não serve
mais. E que, por isso mesmo, não merece a atenção demorada do poeta, que não
perde tempo a demorar-se no passado.
Também não cantarei o mundo futuro, emenda o poeta. E você, meu caro coachee, tem dedicado muito do seu tempo
a tecer fantasias sobre o futuro? Por acaso esse futuro projetado em seus
devaneios tem-se mostrado assustador, ameaçador ou angustiante?
Depois de dizer o que não será, o poeta diz onde e como está.
Estou preso à vida e olho meus
companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Depois de dizer o que não será, o poeta diz onde e como está.
Preso à vida, rodeado de companheiros, que, embora taciturnos (característica
de quem fala pouco; calado, de mau humor), nutrem grandes esperanças. O poeta
não está só. Ele tem companheiros, que, com ele, compartilham a realidade;
aquelas circunstâncias de vida em sociedade à qual estão presos. E você, coachee?
Tem-se sentido só ultimamente? Se deixasse de fixar o futuro ou o passado e
olhasse à sua volta, o que veria? Talvez também tenha companheiros de viagem,
que, como você, enfrentam dificuldades. Talvez não sejam as melhores pessoas do
mundo, como também os companheiros do poeta não se encontravam no melhor dos
humores. Estão taciturnos, mas... nutrem grandes esperanças.
Vejamos o relato pessoal do poeta:
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
O poeta se defronta com uma realidade enorme e
desafiadora, seus companheiros também têm problemas, porém... existe esperança.
Drummond sabe que o presente é tão grande, reconhece a distância e as
ausências, mas também sabe que não está sozinho, porque conhece o poder da
solidariedade. Sabe o quanto é importante estar junto, manter-se em contato,
dar as mãos em apoio recíproco e sustentação afetiva.
E você, coachee? Tem cultivado a sua rede de sustentação afetiva? Tem mantido contato com os amigos? O que aconteceria se você abrisse o coração para seus companheiros de viagem? Se você pedisse ajuda, assim com fez agora, o que poderia acontecer? E se você estendesse as mãos a alguém? Pedir e oferecer ajuda, por que não?
Depois de propor que nos estendamos as mãos, num
gesto de fraternidade que nos fortalece a todos, o poeta reafirma o que já não
pretende ser e as vias que não pretende percorrer. Despede-se de todos os escapismos para
encarar a realidade da vida. Ao despojar-se das fantasias românticas
e desvencilhar-se das dependências, químicas ou psicológicas, deixando o
passado passar em paz e reservando ao futuro o que lhe é de direito, o poeta
autoconsciente planta os pés na realidade, posicionando-se no presente, que é o tempo
em que a vida acontece.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
E você, Coachee? O que tem a ganhar – e a perder –
libertando-se das fantasias e dos escapismos para assumir total
responsabilidade por si mesmo, suas escolhas e decisões? O que aconteceria se
você assumisse o controle do seu destino?
E o poeta conclui com infinita sabedoria:
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os
homens presentes,
a vida presente.
A lição que nos ensina é que só existimos no
presente. O futuro é hipótese, o passado é memória... O presente é a vida que
vivemos. As pessoas com quem convivemos são parte essencial dessa realidade.
Pode não ser o melhor, mas é o que temos, é o que tem pra hoje. Trabalhar com essa matéria – o tempo, as pessoas – é fazer
algo que objetivamente pode mudar nossa vida.
Se tomasse algumas decisões e mudasse suas atitudes, isso poderia mudar a sua vida em alguns aspectos importantes? E, se a vida mudasse, você teria vontade de viver?
Qual seria a principal mudança,
aquela que teria o poder de desperta em você a vontade de viver?
O que você pode fazer agora – que dependa só de
você – para dar o primeiro passo em direção à mudança desejada? Como será...?
∞8∞
Mande
sua mensagem para albertocenturiao@gmail.com.
sábado, 27 de fevereiro de 2021
Estou velho. E agora?
O que é velho para você? Defina “velho”. Velho para quê? Velho para quem? Em sua opinião, o que significa ser velho?
Essas perguntas são necessárias para iniciar o diálogo sobre a questão
da “velhice”, ou da idade. O Coach precisa ajudar o Coachee a reformular sua
autoimagem, a partir de uma percepção conceitual ampliada da questão da idade.
Houve tempos em que uma moça aos dezoito anos era considerada “muito
velha para casar”. Em alguns ambientes corporativos, um executivo acima dos
quarenta é considerado “velho”. Em contrapartida, existem posições a que
dificilmente se tem acesso antes de alcançar a maturidade; e as jovens têm cada
vez menos pressa em se casar.
É
certo que algumas atividades dependem do vigor da juventude para manter o
desempenho em alto nível.
É o caso dos atletas e bailarinos; ou de reflexos muito rápidos como os
pilotos de competição, ou de coordenação motora fina como os cirurgiões, por
exemplo. Se for o seu caso... Existe alguma coisa que você possa fazer para
mudar essa realidade? Se não em definitivo, pelo menos que possa manter você em
atividade por mais tempo? Mas se isso não for possível... Se você tiver
realmente chegado à idade limite para a prática de sua atividade em alto
nível... O que você pode fazer? Algo que dependa só de você?
Uma decisão inevitável é escolher o momento de ir para a aposentadoria.
Parar enquanto está atuando em alto nível? Ou permanecer em atividade enquanto
ainda conseguir manter um desempenho aceitável? No caso do atleta enquanto não
prejudicar a equipe, no caso do neurocirurgião enquanto não colocar em risco a
vida dos pacientes... Outra decisão importantíssima: O que você fará depois?
Qual a atividade a que você se dedicará para preencher o espaço que ficará
disponível em sua rotina? Dedicar-se-á inteiramente a uma atividade que já
mantém em paralelo? Iniciará uma nova atividade? Já está preparado para ela ou
terá que iniciar novo aprendizado? Tem meta estabelecida para alcançar nessa
nova fase que se inicia? Será um trabalho na mesma área, em outra função? Ou em
um novo ambiente? Que conhecimentos e habilidades você já tem adquiridos e que
outros precisa adquirir para ser competente nessa nova atividade? O que você
pode fazer, que dependa só de você, para dar o primeiro passo?
Entretanto,
existem atividades que podem ser praticadas em alto nível até idade provecta,
ou mesmo que demandem certo grau de maturidade pessoal para sua prática em alto
nível.
Por exemplo, o Coaching, a clínica médica ou a gestão de negócios, que
se beneficiam com a maturidade. Nesse caso, cabe uma pergunta: Quem foi que
“envelheceu”? Seu corpo? Ou seus conhecimentos? Porque o que garante a
longevidade no mercado é a constante atualização profissional. Você gostaria de
ser operado por um cirurgião que praticasse as melhores técnicas cirúrgicas de
vinte anos atrás? É óbvio que não, por isso mesmo os cirurgiões estão sempre
participando de congressos e cursos de atualização. A experiência é valiosa,
quando colocada a serviço do conhecimento de ponta. Se você percebe que
“envelheceu profissionalmente”, o que pode fazer para se colocar em dia com o
que há de mais recente em sua área? Estudos? Prática? Migração? Seus
conhecimentos adquiridos podem ser úteis em novas aplicações, fora do espaço
habitual? Você realmente deseja permanecer nessa atividade? Ou teria chegado o
momento para mudar de área? Talvez buscando algum trabalho que lhe proporcione
maior prazer, ou traga novos desafios?
De um
modo ou de outro, a velhice chega para todos... Pelo menos para a maioria.
A chamada terceira idade, mais dia, menos dia, bate à nossa porta e traz
com ela novas demandas, limitações e algumas possibilidades. Entretanto, com o
aumento da expectativa de vida com qualidade, apresenta-se a ocasião de pensar
numa segunda ou terceira carreira. O que você gostaria de fazer agora? Que lhe
dê muito, mas muito prazer de trabalhar?
Uma delas é a aposentadoria, sobre a qual pretendo falar em outro
artigo, por ser uma situação que interessa a muitas pessoas e merece uma
abordagem mais detalhada.
A pessoa idosa tem algumas desvantagens, por conta do desgaste do
equipamento físico, é preciso reconhecer. Por outro lado, existe a vantagem da
experiência, do conhecimento adquirido, da maturidade... O que você pode fazer agora
com tudo isso? Como usar a seu favor esse patrimônio pessoal, acumulado ao
longo de décadas? Onde está o “caminho das pedras” que só você conhece?
Observando atentamente o mercado de trabalho, onde é que existe espaço
interessante, na sua área de expertise, que possa ser ocupada por um
profissional mais velho, experiente e com um currículo confiável? Em vez de
tentar competir com os jovens, que tal focar nos cargos que demandam
experiência e maturidade?
Ou... Já pensou em mudar de área? Empreender? Existe um projeto que você
sonha, mas deixa sempre para depois? Teria chegado o momento de começar de
novo? De renascer profissionalmente?
Quer
fazer uma pergunta para o Coach? Mande sua mensagem para albertocenturiao@gmail.com
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Navegar ou esculpir barcos?
Era uma vez um velho artesão que ganhava a vida vendendo os barquinhos
entalhados em madeira que fazia em sua modesta oficina. Sua vida inteira
passara entalhando barquinhos de madeira, mercadoria muito apreciada pelos
turistas que veraneavam por aquelas praias.
O velho artesão começou a sentir-se entediado com seu ofício, a
cada novo pedaço de madeira que começava a entalhar ele tinha a sensação de já
saber como seria o resultado final do trabalho. Mudavam as cores, mudava o
tamanho, mas era sempre o mesmo barquinho recorrente.
Cansado do velho ofício, decidiu tornar-se pescador. Pela primeira vez
na vida, embarcou num daqueles barquinhos que tantas vezes entalhara nos
pedaços de madeira que recolhia na praia. Foi ao mar, lançou e recolheu redes,
enfrentou mar calmo e tempestuoso, sentiu o cheiro dos peixes... mas não estava
totalmente satisfeito com a sua nova profissão, embora com ela suprisse o
sustento da família. Faltava-lhe algo.
Certo dia, em que o mar proceloso não permitia que os pescadores saíssem
com suas embarcações, nosso artesão-pescador caminhava pela
praia quando teve sua atenção atraída por um velho galho ressequido e
retorcido. Tirando do bolso o canivete, começou a esculpir aquela madeira dura
e difícil, deixando suas mãos agirem por instinto, sem parar para pensar no que
deveria ser feito.
Em questão de minutos a madeira foi tomando a forma de um
barco, mas era um barco diferente daqueles que sempre esculpira. À medida que
suas mãos trabalhavam, guiadas pelo tato e pelos automatismos tão
exercitados, os olhos do escultor se maravilhavam com a magnífica embarcação
que era aos poucos revelada. Aquele barco tinha vida, expressava toda a emoção
de um velho pescador em sua luta contra o mar tempestuoso.
Quando a escultura ficou pronta, o velho artesão percebeu que jamais
poderia deixar de esculpir barcos. Mas também entendeu que daquele dia em
diante seus barquinhos nunca mais seriam os mesmos, pois doravante cada um
deles seria o retrato da alma de um homem.
Com seu espírito enriquecido pela vivência como pescador ele voltou a
esculpir, imprimindo à madeira uma alma além da forma. Seus trabalhos
foram valorizados, agora vistos como obras de arte e não mais como mero
artesanato. E aquele velho artesão jamais voltou a sentir tédio, porque cada
barco que esculpia era um novo barco, a bordo do qual fazia uma nova viagem por
seu mar interior.
Se
você está descontente com o que faz e anda pensando em mudar de profissão,
pergunte a si mesmo:
- O que você precisa para ser feliz? Mudar de profissão ou enfrentar
desafios maiores, fazendo aquilo que sabe fazer melhor?
As respostas a essas e outras perguntas estão em você, basta ter a
coragem de perguntar, ouvir e fazer o que seu coração mandar.
Quer
fazer uma pergunta para o Coach? Mande sua mensagem para albertocenturiao@gmail.com .
Quem é Alberto
Centurião?
Coach certificado
pela Sociedade Latino Americana de
Coaching e International Association of Coaching−Institutes, com
especialização em coaching executivo e liderança coach.
Autor dos livros:
Brasil 500 Anos de Mau Atendimento – Ombudsman, a face da empresa cidadã –Call Center ao alcance de todos − Livrinho! (Micropoemas) – O Caminho, Uma história de Coaching (E-book).
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
e-Book saindo do forno. Aguardem lançamento em breve!
Foi com método e sistema que o mundo foi dividido entre quem pode e quem não, quem manda e quem obedece; quem sabe e quem ignora, quem produz e quem consome. Foi a crença na escassez que fundou a divisão entre povos concorrentes, num planeta dividido entre fartos e famintos, entre impérios e colônias; inseridos e excluídos, castas, classes sociais. Foi a falta de empatia que moldou nossas cidades num cenário fracionado entre abundância e penúria, entre conforto e miséria. E assim, dessa maneira, a vida foi ordenada.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
Coaching para vencer a Depressão???
Há quanto tempo você está deprimido? Esta é a primeira questão a ser colocada pelo Coach. Quando começou essa depressão? Trata-se de um estado de ânimo pontual, ou é algo mais persistente, que se mantém há mais tempo? Sua depressão é do tipo que vai e volta? Que se alterna com ciclos de euforia?
Essas
perguntas são importantes, porque o estado depressivo continuado, prolongado ou
oscilante, pode ser sintoma de um quadro clínico sério, a demandar tratamento clínico
com um psiquiatra, neuropsiquiatra ou psicólogo. Diante de um caso semelhante,
que pode sinalizar um quadro de depressão crônica, bipolaridade, transtorno
borderline ou outros distúrbios de comportamento, o dever do Coach é orientar
seu coachee a buscar tratamento com
um profissional de saúde especializado, por uma das muitas formas de
psicoterapia, com eventual apoio medicamentoso. Em alguns casos, é aconselhável
suspender o processo de coaching até que a psicoterapia proporcione alguma
estabilidade.
Como já
dissemos em outros artigos, a psicoterapia tem por objeto ajudar o sujeito a
resolver questões mal resolvidas do passado, a fim de torná-lo operacional,
emocionalmente estável e produtivo no presente. Já o coaching tem por objeto
ajudar o indivíduo a identificar seus potenciais e definir as metas que
pretende realizar no futuro.
Em que situações o Coaching pode
ajudar?
Por outro
lado, se o estado deprimido é pontual; desânimo, nostalgia intermitente ou
falta de estímulo para enfrentar os desafios do dia, então o Coaching pode ser
um instrumento muito útil para ajudar a pessoa a mudar seu estado de ânimo, que
é frequentemente ocasionado pela falta de perspectivas ou pela falta de nexo
entre os objetivos estabelecidos e os valores
pessoais(1).
Qual a perspectiva Coaching para
o desânimo?
Se a pessoa
não tem metas que a desafiem é natural que esteja desanimada. Havendo metas
definidas, pode ser que essas metas estejam em contradição com os valores
pessoais do sujeito; se essa contradição interna não for equacionada, faltará
motivação para agir.
Como o Coach aborda essa questão?
Primeiro é
preciso fazer perguntas para ajudar o coachee a identificar com clareza as
causas do desânimo. Verificar se ele tem uma percepção nítida dos seus desejos
e planos para o futuro, se tem clareza do que pretende realizar, das mudanças
que deseja fazer na sua vida. Sendo esse o caso, o caminho natural será
prosseguir com os questionamentos até que a pessoa acesse seus potenciais e
identifique a maneira mais prazerosa de canalizar esses potenciais para a
realização pessoal. Definida uma direção a seguir, o próximo passo será o apoio
ao coachee para a definição de metas desafiadora e possíveis de serem
alcançadas. Em seguida, validar essas metas perante os valores pessoais do
coachee, para garantir a motivação no médio e longo prazos. Ter metas nítidas e
desafiadoras é altamente motivador.
Outra
situação desanimadora ocorre quando a pessoa tem metas definidas, porém essas
metas foram estabelecidas sem levar em conta seus valores, talentos e anseios.
Frequentemente os planos são traçados em termos práticos, visando resultados
objetivos, seguindo conselhos de pessoas bem-sucedidas ou tendências do mercado
de trabalho, ou ainda por respeito a tradições e conveniências familiares.
Ocorre que nem sempre o mais conveniente será o mais satisfatório. Cada
indivíduo tem suas tendências, desejos, valores e preferências. O que é ótimo
do ponto de vista objetivo pode tornar-se insuportável quando contraria esses
traços da individualidade.
O trabalho
do Coach começará por uma verificação da ecologia
da meta(2), de modo que o coachee identifique os fatores de
incongruência causadores do desânimo. Feito isso, ajudar o coachee a
inventariar talentos, sonhos e os recursos pessoais que já tem e os que ainda
lhe faltam para alcançar os objetivos capazes de lhe proporcionar satisfação.
Esse inventário possibilitará ajustar os objetivos anteriormente estabelecidos,
ou descartá-los em troca de novos objetivos mais satisfatórios e motivadores. Esse
caminho levará à definição de novas metas de resultado, plenamente alinhadas
com o código de valores internos do coachee, produzindo um estado de ânimo
intensamente motivado.
Então as metas vencem a depressão?
Quando a
tristeza e o desânimo forem causados pela falta de perspectivas, ou por
perspectivas insatisfatórias, sim. Metas alinhadas com as tendências, os
desejos, os valores e as preferências pessoais são estimulantes fortíssimos
para a produção do coquetel de hormônios que estimulam o organismo a agir,
reagir e interagir com maior intensidade, como a ocitocina, a serotonina, a
endorfina, a dopamina e a adrenalina.
Entretanto,
como dissemos no início, quando a depressão for causada por trauma, psicose ou
transtorno neuropsíquico, é assunto para psicólogos, neurologistas e
psiquiatras.
∞8∞
(1) Valores pessoais são referenciais éticos, indicativos de certo ou errado, vale a pena ou não vale, devo ou não devo etc. Quando a meta é validada por um valor pessoal, haverá motivação
para alcançá-la. Se a meta não for validada por esse código de ética pessoal, a
tendência é que se perca motivação durante o processo. Voltarei ao assunto em
outro artigo.
(2) Sobre a ecologia da meta falarei em um próximo artigo, pois
o assunto merece atenção. Refere-se ao caráter benigno que a meta deve ter, a
fim de ter validade a longo prazo; é importante verificar se a meta não poderá,
de algum modo, causar dano a terceiros ou ao próprio sujeito.
∞8∞
Quer fazer
uma pergunta para o Coach? Mande sua mensagem para albertocenturiao@gmail.com .
Quem é Alberto Centurião?
Coach certificado pela Sociedade Latino Americana de Coaching e International
Association of Coaching−Institutes, com especialização em coaching
executivo e liderança coach.
Autor dos livros:
Brasil 500 Anos de Mau Atendimento – Ombudsman, a face da empresa
cidadã –Call Center ao alcance
de todos − Livrinho! (Micropoemas)
– O Caminho, Uma história de Coaching (E-book).

